A Organização Mundial de Empresas

5 razões pelas quais o Comércio é importante para África

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O continente africano é o lar de mais de ¼ da população mundial, mas contabiliza apenas cerca de 3% do comércio global. Na ocasião do Dia da Agenda de Comércio Mundial em Nairobi, no Quénia, os empresários discutiram de que forma o comércio pode estimular a criação de empregos e crescimento em África.

No passado dia 7 de junho de 2017, a ICC recebeu líderes empresariais locais e globais em Nairobi, no Quénia, para uma série de discussões sobre o futuro do comércio global e do sistema baseado em regras de comércio. Organizado em parceria com a Câmara de Comércio e Indústria do Qatar e a Aliança do Setor Privado do Quénia, o Dia da Agenda do Comércio Mundial centra as atenções em África e em como o comércio pode potenciar o crescimento económico em todo o continente.

Abaixo seguem as 5 razões pelas quais o comércio é importante para África:

1. O comércio retirou centenas de milhões da pobreza

Normalmente referido como um dos mais bem-sucedidos catalisadores da pobreza na história, o comércio tirou cerca de um bilião de pessoas da pobreza – segundo alguns dados. Muitos destes beneficiários encontram-se em toda a Ásia, onde a maior integração em mercados globais gerou crescimento e desenvolvimento incomparável na China e noutras economias emergentes. Enquanto as taxas de pobreza mundial decresceram nas últimas décadas, cerca de 40% de pessoas residentes na África Subsariana permanecem em total pobreza.

Dada a sua trajetória fascinante, muitos economistas acreditam que o comércio é a chave para as expetativas económicas de muitas nações africanas. De acordo com Akinwumi Adesina, Presidente do African Development Bank, a legislação norte americana, que oferece aos países africanos acesso comercial preferencial aos Estados Unidos, já permitiu exportações (que não de petróleo) de US$4.5 biliões anuais, criando vários empregos. Dado o rápido crescimento da população africana e a vastidão de recursos, a criação de ligações comerciais mais robustas estimulariam a criação de empregos em massa e tirariam muitos africanos de situações de pobreza.

2. A África está sub-representada no comércio global

Apesar do facto da África ter mais de ¼ da população mundial (uma percentagem que está a crescer rapidamente), a percentagem do continente em termos de comércio global representou apenas 3.3% em 2014. Além disso, os países africanos não comercializam significativamente entre si, apesar da integração regional e económica ser crucial para o desenvolvimento. O comércio entre países africanos é de apenas 10% do comércio total do continente, com a maioria das exportações dirigidas para as economias mais avançadas do mundo.

3. O Acordo de Facilitação do Comércio da OMC tem um potencial enorme para África

Tendo entrado em vigor no início de 2017, o Acordo de Facilitação do Comércio (TFA) da Organização Mundial do Comércio (OMC) é um acordo global sobre medidas fronteiriças que visam facilitar o comércio às empresas. O acordo altera em muito as medidas atuais de África, onde se verificam alguns dos procedimentos mais complexos do mundo. Os atrasos nas alfândegas da África Subsariana são dos maiores em todo o mundo, demorando uma média de 15 dias para despachar as importações nas alfândegas.

Procedimentos aduaneiros morosos e complicados prejudicam, acima de tudo, as PME´s, muitas das quais têm falta de recursos ou ligações para lidar com as alfândegas, quando em comparação com as grandes empresas. Harmonizar estas discrepâncias através de regras transparentes e mais simples significaria que muitas PME´s africanas poderiam exportar os seus produtos para mercados globais pela primeira vez. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento

Económico estima que a implementação do TFA iria aumentar o número de produtos exportados da África Subsariana em 16%, aumentando ao mesmo tempo o número de destinos de exportações em 28%.

4. África está a sofrer da lacuna de trade finance

O comércio mundial depende de fontes de financiamento fiáveis no âmbito das quais bancos ajudem a mitigar os riscos dos comerciantes ao encurtar o período de tempo das transações internacionais - entre a produção dos bens, o seu transporte e o recebimento do pagamento. Isto é particularmente verdadeiro em África, onde os riscos podem ser considerados maiores do que noutras regiões. Contudo, a crescente lacuna de trade finance, que agora se mantém nos US$1.6 triliões, tem tornado difícil para os operadores relacionados com o comércio africano, aceder ao financiamento de que precisam.

De acordo com o Inquérito Global de Trade Finance de 2016 da ICC, isto deve-se em grande parte aos efeitos não intencionais da regulação do crime financeiro global que leva os bancos a não fazer negócio com países de “maior risco”. A ICC liderou o esforço das Nações Unidas para rever as causas da lacuna do trade finance, que em muito afeta economias em desenvolvimento em África. Na República Centro-Africana, por exemplo, ficaram reduzidos a uma relação com um banco correspondente – um acordo bilateral para lidar com os serviços básicos de trade finance.

5. O comércio digital pode transformar as economias africanas

O boom do comércio eletrónico deu-se em vários países no mundo inteiro, em alguns casos gerando novas ondas de crescimento em PME´s. Na China, estima-se que o gigante da Internet, Alibaba, criou 33 milhões de empregos no seu país, com cada parte terceira que usa a sua plataforma a criar pelo menos três outros empregos. O comércio eletrónico é altamente internacional. As empresas que usam as plataformas de vendas online demonstraram ser 5 vezes mais aptas para exportar do que empresas que não têm presença online.

À medida que o acesso continua a acelerar em toda a África, as empresas locais podem conectar-se a fornecedores domésticos e clientes estrangeiros de forma mais simples e direta. Ao mesmo tempo que as melhorias em estruturas reguladoras e infraestruturas continuam a ser críticas para muitos dos países africanos tirarem partido das vantagens das novas tecnologias, o vasto potencial do comércio eletrónico para África significa que o comércio importa mais do que nunca para o continente.

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