A Organização Mundial de Empresas

Conversações em Addis Abeba resultam em grande avanço na cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável

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A 3ª Conferência Internacional sobre o Financiamento do Desenvolvimento (“Third International Conference on Financing for Development - FFD3”), em Addis Abeba, na Etiópia, após 3 dias de negociações, concluiu com um novo acordo para um novo quadro global financeiro de apoio ao desenvolvimento sustentável. O texto final – agora denominado “Addis Ababa Action Agenda” — é agora parte integrante da agenda pós-2015 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável.

O 1º Ministro da República Federal Democrática da Etiópia, Hailemariam Desalegn, afirmou que as empresas são parte da solução, que existem oportunidades de crescimento e que os governos devem melhorar o seu compromisso com o sector privado procurando soluções para que as empresas atuem de forma eficiente.

No seguimento da conclusão das conversações em Addis, John Danilovich, Secretário-geral da ICC, afirmou: “Damos as boas-vindas ao acordo de Addis como sendo um importante passo para um futuro mais próspero e mais sustentável para todos nós. O financiamento será a alavanca necessária para o sucesso da nova agenda para o desenvolvimento sustentável. Ao estabelecer um quadro que procura aproveitar o investimento do sector privado, temos visto um grande avanço na abordagem da comunidade internacional à cooperação para o desenvolvimento.”

A “Addis Ababa Action Agenda” define um quadro de ação ao longo de uma ampla gama de matérias, incluindo a questão de como habilitar as empresas e o comércio a serem o motor de crescimento e desenvolvimento.

John Danilovich acrescenta: “O Acordo de Addis deverá funcionar como um catalisador para as reformas no comércio para apoiar os mais pobres do mundo. O cumprimento do Acordo de Facilitação do Comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC) - que reduziria a burocracia desnecessária nas fronteiras - permitiria aos empreendedores em mercados em desenvolvimento, alcançar cadeias globais de fornecimento pela primeira vez. Urgente e necessária é, também, uma ação destinada a aumentar a oferta de financiamento às PME, considerando as preocupações crescentes sobre graves lacunas financeiras em alguns mercados em desenvolvimento.”

800 inscritos participaram na delegação que a ICC (International Chamber of Commerce) levou à Conferência FFD3 das Nações Unidas, promovendo assim o International Business Forum – uma plataforma onde se encontraram vários stakeholders, num programa intenso de conversações e debates ao longo de um dia inteiro, para explorar os desafios e esboçar soluções de cooperação para o desenvolvimento no século 21, fornecendo assim um input único à Conferência e ao Acordo que se concluiu.

Para a ICC, a organização deste Fórum, à margem da Conferência, foi uma excelente oportunidade para contribuir para o diálogo global sobre a facilitação do ambiente de negócios para as empresas, sublinhar o papel de sucesso do sector privado (e da cooperação público-privada) na definição de soluções para o desenvolvimento e para anunciar novas iniciativas concretas e novas parcerias, com vista a mobilizar a ação e o compromisso em escala.

Entre os novos modelos de cooperação global público-privada incluem-se:

• Nova Parceria de Investimento para o Desenvolvimento Sustentável para mobilizar $100 biliões para o financiamento de projetos de infraestruturas ao longo de 5 anos em países em desenvolvimento que utilizam a assistência ao desenvolvimento para reduzir o risco e captar o investimento privado.
• A “Convergence”, uma plataforma virtual anunciada pelo Canadá, em parceria com o Fórum Económico Mundial, Dalberg e outros parceiros, uma plataforma de mercado virtual para a realização de negócios e partilha de informação que facilitem e aumentem os fluxos de capital para os países em desenvolvimento;
• O Memorando de Entendimento (MOU) assinado entre os EUA e a UE para fortalecer a coordenação entre a UE e a agência governamental americana denominada “Power Africa”, que reforçará os compromissos já existentes, com países parceiros e com o sector privado, no apoio a países em desenvolvimento, fazendo aumentar o acesso à eletricidade a mais de 600 milhões de pessoas na África Subsariana.

AdisAbeba JD

Qual o papel do sector privado?

Aproveitar o poder do sector privado significa criar os incentivos certos. O empreendedorismo privado é impulsionado por análises de risco / recompensa. É urgente equilibrar a necessidade de taxas de risco / recompensa suficientes para fazer face à necessidade de serviços a preços acessíveis para todos. Para definir o equilíbrio certo é preciso que os governos e o sector privado trabalhem em conjunto, numa parceria voluntária, também em matérias de financiamento conjunto.

Cumprir o quadro pós-2015 para o desenvolvimento exigirá uma intensificação destes esforços e a criação de novas parcerias, capazes de aproveitar o poder do sector privado para impulsionar o crescimento económico, criar empregos e reduzir a pobreza. O sector privado fornece mais de 90% dos postos de trabalho nos países em desenvolvimento e é responsável por mais de 50% do PIB.

Empresas progressistas compreendem que o financiamento de soluções que beneficiem o consumo, a sociedade e o ambiente são oportunidades de investimento inteligentes. Este é o caminho para se manterem competitivas e credíveis. Existem de facto oportunidades lucrativas para o sector privado em países com rendimentos baixos e o lucro é uma medida do sucesso e da sustentabilidade do negócio.

A diversidade do sector privado, que vai desde as microempresas e cooperativas até às empresas multinacionais, estrangeiras e nacionais, oferece criatividade e inovação para resolver os desafios do desenvolvimento sustentável.

Mais importante ainda, as empresas devem continuar a fazer parcerias com os governos e outras partes interessadas, para garantir que o seu negócio é realizado de forma responsável, sustentável e socialmente inclusiva.

É cada vez mais claro que os governos, os mercados e as pessoas devem olhar para além das suas agendas transacionais e ciclos políticos de curto prazo.

Escolhas sustentáveis, muitas vezes têm maiores custos à partida do que o negócio habitual: é preciso que essas escolhas se tornem mais disponíveis, acessíveis e atraentes tanto para os consumidores mais pobres como para os países de menor rendimentos.

Em conclusão: as empresas, com a sua abordagem prática, orientada por objetivos são parceiros vitais para o desenvolvimento sustentável universal nas suas três dimensões, através da promoção do crescimento económico inclusivo, da proteção do meio ambiente e da promoção da inclusão social.

Consulte o Documento sobre o “International Business Forum”

Veja a Carta de John Danilovich para o Financial Times sobre o desenvolvimento sustentável

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